Terça-feira, Junho 16, 2009

Coisas de excelências. Mas e daí?


Ainda rende a manifestação do ministro Minc durante a Marcha da Maconha. Hoje há pouco, atendendo à convocação da Comissão de Segurança Pública, Carlos Minc esteve se explicando na Câmara diante de ex-policiais e evangélicos eleitos pelo povo. Liderados pelo deputado Laerte Bessa (PMDB-DF), a tal comissão interpretou a posição favorável e pública de Minc com relação a legalização da maconha como apologia ao crime. Laerte Bessa classificou o ato do ministro, sua presença e discurso, como apologia às drogas e contribuição para o fortalecimento de um movimento clandestino que promove atos ilícitos. Por conta disso, Minc foi lá, se "explicou" para as excelências presentes, fez um propaganda interna de seu trabalho em defesa do meio ambiente e reafirmou sua conhecida posição sobre a legalização do plantio da maconha para consumo próprio pelo motivo que for. Ninguém foi preso, será processado ou se desentendeu durante o debate. Pelo contrário, trocaram os elogios e o respeito de costume. Como sempre, nada foi dito ou combinado de forma que possa ser útil para a sociedade, e na opinião careta do MqM, isso é muito pior do que todos os baseados que estão sendo acesos neste momento pelo Brasil e mundo a fora.
Em determinado momento, o deputado Bessa disse entender que manifestar-se a respeito da polêmica é preciso, mas desde que seja em ambientes mais apropriados, ou seja, entre "eles" e suas solenes sessões. Aqui o deputado perdeu a oportunidade de ser inteligente ficando calado. Ele e todos os eleitos pelo povo devem trabalhar para colocar em prática aquilo que o povo quer. E não se trata de atender minorias ou maiorias e sim de estabelecer caminhos que equilibrem as diferenças entre opiniões e melhorem a vida de todos dentro do possível. Mas vendo como isso começou perdemos qualquer esperança. Em sua petição o deputado policial civil disse que "se for permitida a apologia à descriminalização do uso da maconha, deve-se permitir, também, a apologia ao homicídio, ao racismo e à corrupção, pois tudo se resumiria, ao final, de livre manifestação do pensamento" (sic).
Faz muito mal se prender em tais palavras deste ou de qualquer outro apelo similar. Sinceramente, ou o deputado estava em um péssimo dia ou elaborou a comparação exposta em sua petição "no meio de uma torcida organizada repressora nas arquibancadas do Maracanã". Mais incrível é que tal pensamento foi aprovado por oito votos a um. A estupidez é tão caricatural que deveria ser oferecida como roteiro para uma animação dos Simpsons ou South Park. O MqM está convícto de que o bolo de receita bizarra formado por ex-policiais e evangélicos teria feito melhor, como representante do povo, indo a Marcha que o arrepiou e não tentando aparecer às custas de quem foi. Que fossem lá, não para agirem contra suas convicções apoiando o que não acham certo, mas para aproveitar e se manifestarem contra todos aqueles "conhecidos" que tiram proveito como parasitas do contexto tráfico - drogas - usuários.
Vejam um fraco resumo da história e analise (se tiver estômago) as falas, posturas e competências dos parlamentares que protagonizaram mais um evento de inutilidade pública.
É de doer.

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